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Certo dia, conversava com uma amiga e ela me contava o quão infeliz estava. Talvez, infeliz seja uma palavra forte. Acho que insatisfeita é mais apropriada. Dizia que não estava contente com quem era e que, se pudesse, gostaria de ser outra pessoa, pois, para ela, muitas coisas tinham perdido o sentido.

Ela estava totalmente confusa, algo que acho muito aceitável nos seus 29 anos, beirando a tal crise dos 30. Essa conversa entre nós dois lembrou-me de algo, de uma conversa que tinha comigo mesmo quando eu tinha 10 anos.

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Menino sentado no chão, abraçando suas pernas e olhando para o lado.
123rf/Katarzyna Białasiewicz

Eu me lembro de que, naquela época, havia um filme, que não me recordo o nome, de determinada cena em que um vampiro mordia um menininho, porém não me recordo bem se o menino havia morrido e o amigo vampiro o quis reviver ou se ele simplesmente mordeu o garoto sem motivo algum.

Enfim, sei que aquela cena me fazia fantasiar que eu queria ser mordido porque não queria mais minha vida, não me encaixava nesse mundo e muitas coisas não faziam sentido. Queria uma nova vida, uma oportunidade diferente. Acho que pensava: “esta é minha chance de viver outra vida, outras aventuras. Eu não me pareço nada com o que deveria parecer”. Gente, acreditem, isso com os meus 10 anos.

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Hoje, pensando melhor, não sei se isso ajudaria muito e acho que não funcionaria com a minha amiga também. Queria fugir de mim mesmo e era tão jovem… Não sei muito bem por qual motivo. A verdade é que mesmo se fosse possível fugir daquele “eu” que negava, será que futuramente eu não rejeitaria também o “eu vampiro”?

Afinal, em algum momento, eu não ia gostar de mim em algum aspecto.

Sinceramente, noto que a maioria de nós, quando nos deparamos com nossas fraquezas ou até mesmo com algo que não gostamos, passamos por cima disso, ou seja, “jogamos para debaixo do tapete”. Encarar nem pensar! É doloroso demais, trabalhoso, cansativo…

Não podemos virar vampiros – não que eu saiba. Mesmo se pudéssemos, não resolveria todos os nossos problemas. Então, convido você a encarar as circunstâncias do seu “Eu” de cara limpa.

Quero que você esteja disposta a analisar o que a incomoda, o que se pode fazer para melhorar essa situação. Muitas das vezes estudamos fórmulas, literatura, equações, fazemos gerenciamentos de empresas, mas não estudamos nós mesmos, procuramos não nos entender.

Mulher segurando espelho quebrado, olhando seu reflexo.
123rf/Katarzyna Białasiewicz

Temos o defeito de não nos conhecermos a fundo e sabermos mais dos outros do que de nós mesmos.

Remonte-se, reintegre-se, refaça e reavalie. Sintonize-se consigo mesma e descubra um “Eu” que sempre existiu e que sempre foi o suficiente. Depois de fazer isso, quando surgir um problema, ao invés de você querer ser outra pessoa, vai se enxergar autossuficiente para encará-la.

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