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O amor é complexo, enigmático, e tem diferentes formas, por isso, é um dos temas que mais evito. Apesar de seus tantos arquétipos, muitos não sabem a diferença de quando realmente estão tomados por este estado, ou se o que sentem não passa de apego; sentimento oriundo de uma carência emocional crônica.

A sensação de possuir, ou ter controle sobre algo, nos coloca à mercê daquilo. É próprio do ser humano não suportar a perda do que fora conquistado, pois faz parte da manutenção da nossa dignidade. Enio Burgos, o autor do livro “Medicina Interior”, afirma que as pessoas com perfil apegado têm mais probabilidade de terem emoções desequilibradas e prejudiciais ao corpo e à mente. Quando estamos apegados a algo, podemos apresentar sintomas como ansiedade ou depressão, seja por medo de perder, ou por termos perdido e não soubemos lidar com isso. Já as pessoas desapegadas estão sempre em harmonia, pois conhecem a sua verdadeira essência e sabem que a possibilidade de perder algo ou se distanciar de alguém não vai mudar a sua natureza ou seu propósito de vida.

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“Evita apegar-te, seja ao que for, pois não há sofrimento para os que, com serenidade, não se apegam, nem têm aversão.” — Escritura budista Dhammapada Atthaka

Casal abraçado em um parque natural, sob o pôr do sol.
Foto de Євгеній Симоненко no Pexels

A depuração do amor é amar sem ter o desejo de possuir, e por ser via de mão única, não se espera muito em troca. A monja Chaamda Jetsunma Tenzin divide o amor em duas faces: o amor romântico e o amor genuíno. No amor romântico temos o apego que diz: “Eu te amo, por isso quero que você me faça feliz.” Já o amor genuíno rebate: “Eu te amo, por isso quero que você seja feliz. Se isso me incluir, ótimo, se não me incluir, continuarei desejando a sua felicidade.”

É difícil pensar que o ser amado tem sua individualidade e pode percorrer trajetos contrários do seu. É árduo entendermos que o propósito da vida vai muito além do que a nossa consciência pode imaginar, vai muito além do que planilhamos em infinitas abas de um Excel com planos para 1, 2, 5 anos. Mas a maturidade junto ao autoconhecimento nos faz compreender que quem ama, empurra o ser amado na direção de seu próprio caminho, sabendo que pode ou não estar inserido nele.

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Para Osho — guru e um dos maiores líderes espirituais —, o amor se alimenta de liberdade. Quando, por fim, nos deparamos com o amor liberto, fica nítido para todas as partes envolvidas o quanto estão mais unidas do que quando eram presas por amarras imaginárias. Tão unidas que o amor passa a ser total, e nessa substância homogênea não há a quem se prender. Quando o amor desabrocha na sua totalidade, tudo simplesmente é. Este é o arquétipo amor maduro.

“Se você ama uma flor, não a colha. Porque se você colhê-la, ela morre e deixa de ser o que você ama. Então se você ama a flor, deixe-a estar. O amor não está na posse. O amor está na apreciação.” — Osho

Pessoa segurando uma pequena flor entre as mãos.
Foto de Hoang Loc no Pexels

É preciso entender que nada se controla, nada se aprisiona, e nada podemos possuir. A projeção que vem dos desejos e das paixões é o que fantasia e romantiza o apego. O medo de perder não só nos impede de viver como indivíduos, como também coloca a nossa individualidade em segundo plano. Queremos que o outro afirme a nós mesmos os porquês de terem ficado. Queremos validação de que somos boa morada, quando em vez de cuidarmos do nosso lar, estamos apenas criando novas amarras que apertam cada vez mais o outro em nossas vidas. Quem ama não precisa de outro alguém para afirmar suas necessidades afetivas, afinal, só nos tornamos verdadeiramente inteiros quando compreendemos isso.

O post O que você sente é amor ou apego? apareceu primeiro em Eu Sem Fronteiras.



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