Mídias sociais e relacionamento humano

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Há algum tempo estou pensando em escrever sobre mídias sociais e seus efeitos na vida das pessoas, e este é um assunto delicado, uma vez que até os bebês começam a vida já conectados. É incrível ver como a cor e os movimentos que acontecem em uma telinha parecem hipnotizar a todos indistintamente.

Quem sou eu para ir contra a tecnologia, a modernidade, o progresso e a evolução, mas sinto que é tempo de reflexão.

 Hoje em dia, tudo está na ponta dos dedos e isso acabou substituindo o olhar. Recentemente, assisti a um filme espanhol chamado “Nossos Amantes” e, entre tantas outras coisas, uma chamou minha atenção pela forma como uma mulher se aproximou de um homem. E é apenas sobre isso que eu gostaria de falar um pouco hoje. Ela chegou até ele em um café-livraria, começou a conversar e sugeriu que não se apresentassem pelos seus nomes, porque cada um poderia nomear o outro como achasse melhor e eles também não trocariam número de telefone, porque teriam encontros pessoais e não virtuais. O seu argumento foi que se isso funcionava antes, porque não funcionaria agora também? E o filme se desenrola a partir disso, mas aí é uma outra história e cabe a cada um decidir entre assistir ou não…

Mulher com bandana na cabeça mexendo no celular

Tenho visto um aumento no número de pessoas que não conseguem se relacionar socialmente porque isso exige um “olho no olho” e costuma gerar um certo desconforto, como se a pessoa se sentisse desnuda por aquele olhar. De fato, os olhos são a janela da alma e por ali passamos nossos mais intensos, profundos e escondidos sentimentos. E quando alguém consegue ler isso em nós, nos sentimos ameaçados, como se uma fragilidade nos invadisse. Mas, e se começássemos a pensar que é pelo contato com o humano que podemos evoluir, ainda que isso traga dores e dissabores? Ou ainda que justamente por essas razões, crescemos?

Ter o mundo na ponta dos dedos acabou formando seres mais imediatistas e intolerantes à frustração.

 Todos perdemos com isso. É claro que podemos usar toda a tecnologia que está à nossa disposição, mas os velhos hábitos não precisam ser totalmente descartados de nossas vidas. Uma conversa entre amigos, às vezes em grupos menores, para que realmente possamos prestar atenção no outro, na conversa, no conteúdo que está sendo falado. Isso nos permite sair um pouco da superficialidade dos encontros e conhecermos melhor o outro e a nós mesmos, sem medo e com menos defesas. A tela é uma grande defesa e ao mesmo tempo nos encoraja a fazer coisas que nunca faríamos pessoalmente. O desrespeito aumentou, a intolerância também e na telinha com as postagens no Facebook, Instagram, WhatsApp e outros, colocamos aquilo que gostaríamos de ser ou como gostaríamos de ser vistos pelas outras pessoas, e isso pode ser o oposto da realidade. Faz-se necessário começar a prestar atenção no seguinte: cada pessoa posta o que deseja, de acordo com suas intenções ou possibilidades, mas isso não significa que precisamos nos sentir afetados pelo que o outro postou, não é preciso dizer que ele é um mentiroso ou exibido, porque ao se fazer juízo de valor, julgando aquilo que foi postado, é muito provável que o julgamento feito ainda habite em nós e que a postagem bateu em nossos conteúdos ainda não elaborados. Se não for assim, é apenas olhar o que foi postado e seguir a vida sem querer fazer ou ser igual a essa pessoa, sem se achar pior ou melhor que o outro, sem comparar a condição financeira com a da pessoa que postou sua viagem para um local paradisíaco que amaríamos conhecer.

Mulher sentada com braçoes apoiados na mesa segurando celular com copo de café sobre a mesa

Na verdade, o objetivo desse artigo é dar uma pincelada no incômodo trazido pelas mídias sociais, que serve como um gatilho para eu olhar para dentro de mim mesma e me conhecer melhor. É importante começarmos a exercitar a prática social com coisas simples, como por exemplo ir a um restaurante e não conversar com outras pessoas virtualmente enquanto estamos ali, porque se estamos com pessoas à mesa e conversamos com outras pelo celular, provavelmente não estamos vivendo o momento presente, não estamos com um amigo nem com o outro.

Para encerrar, gostaria de deixar o lembrete de que só vivemos no presente. Ou seja, no momento quando as coisas estão acontecendo. Se deslocarmos o pensamento para o passado ou para o futuro, deslocamos o momento psicológico para algo que já se fechou ou que não existe. O presente assim se chama por ser a possibilidade de nos permitir viver, desfrutando de tudo que aquele momento, as pessoas e o universo nos oferecem de melhor, e isso passa muito rapidamente.

Portanto, desejo a todos um bom momento presente, com domínio sobre as mídias sociais e não sendo dominados por elas. Uma boa reflexão!


Você pode se interessar por outro texto da autora. Acesse: Amar: é possível aprender a amar?

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